Posts Tagged ‘História do Integralismo’

Integralismo: um novo paradigma

março 19, 2015

Resenha de “Integralismo: um novo paradigma”

O texto a seguir é uma Carta endereçada ao Professor Ubiratan Pimentel, e está sendo divulgada aqui com a sua autorização.

Rio de Janeiro, 26 de Fevereiro de 2015.

Ano LXXXII da Era Integralista.

Prezado Companheiro Ubiratan Pimentel.

Você tem insistido comigo que eu elaborasse uma Resenha sobre o Livro. Até aqui estava resistindo, mas, os muitos e muitos anos em que tenho a honra de privar da sua amizade já me conscientizaram de que, via de regra, você está certo quando se obstina em um ponto de vista. Portanto, aí vai a Resenha solicitada:

O volume tem 141 páginas, e é dividido em 22 Capítulos.

Grosso modo, os Capítulos podem ser divididos em 05 blocos temáticos: Alertas aos que estão ingressando no Movimento; Doutrina Integralista; Integralismo e Religião; História do Integralismo; e, Integralismo e Economia.

Alertas aos que estão ingressando no Movimento: Infelizmente, e você sabe, querido Companheiro Pimentel que há muita bobagem sendo difundida por aí como sendo o Integralismo e daí ser necessário dar alguns avisos, o que fiz nos Capítulos I – “Contextualização da Doutrina Integralista”, II – “O Erro NeoIntegralista”, III – “O PseudoIntegralismo”, e IV – “Ismos”. O Capítulo I me parece o melhor desta seção, onde abordo a importância de não confundir os nossos Princípios Doutrinários, que são imutáveis, com afirmações meramente conjunturais e sem perenidade que também aparecem na nossa Literatura.

Doutrina Integralista:  Trato de diferentes aspectos da Doutrina Integralista nos Capítulos V – “Integralismo”, VI – “A Concepção Integralista da Sociedade”, VII – “O que pensamos das conspirações  e da politicagem de grupos e facções” (é um comentário ao Capítulo VI doManifesto de Outubro), VIII – “O Homem Integral, de Plínio Salgado, seria o mesmo que o Super-Homem, de Nietzsche?” (você é citado neste Capítulo), e IX – “Os Corporativismos Integralista e fascista na Obra “O Estado Moderno” de Miguel Reale”. Modéstia a parte, todos muito bons…

Integralismo e Religião: Este é um tema que se presta a todos os absurdos e dedico ao mesmo os Capítulos X – “Integralismo e Religião”, Capítulo XI – “Deus no Integralismo”, XII – “O Integralismo e as Religiões”, e XIII – “Catolicismo e Integralismo”. Nestes Capítulos eu deixo claro que o Integralismo é Teísta, porém, não é confessional; que o Integralismo é uma Frente Única Espiritualista, que reúne Brasileiros de todos os Credos Religiosos (Cristãos e não-Cristãos); e, finalmente, que no Estado Integral haverá Liberdade Religiosa. Julgo o assunto tão relevante que estou escrevendo um Livro inteiro sobre ele, o título será “O Integralismo e as Religiões”.

História do Integralismo: Onde trato de questões tópicas da nossa História: Capítulo XIV – “Manifesto de Outubro – Breve Resumo Histórico”, XV – “A Manipulação da História”, XVI – “O Integralismo e a Revolução Comunista de 1935”, XVII – “Mais um texto anti-Integralista mascarado de estudo acadêmico”, e XVIII – “Ao General Torres de Melo – Carta Aberta”. Este último deve desagradar aos maníacos da intervenção militar…

Integralismo e Economia: XIX – “Revolução Agrária: Revolução Verde do Brasil” (você é citado numa nota de pé de página), XX – “A Revolução Agrária”, XXI – “Integralismo e Capitalismo”, e XXII – “A Economia Integralista” (que o Companheiro Victor Emanuel Vilela Barbuy considerou a melhor síntese das ideias econômicas do Integralismo). A Economia Integralista será objeto de outra Obra que estou elaborando.

Está ai a resenha. Aliás, está mais para uma descrição de conteúdo do que para uma resenha propriamente dita…

Pelo Bem do Brasil!

Anauê!

Sérgio de Vasconcellos

Integralismo: um novo paradigma

Integralismo: um novo paradigma

março 7, 2015

Integralismo: um novo paradigma

O livro “Integralismo: um novo paradigma” foi lançado recentemente. Maiores informações no seguinte: https://agbook.com.br/book/176744–Integralismo    Anauê!

Gustavo Barroso e a Academia Brasileira de Letras

junho 16, 2012

Guilherme Figueira*

Foi uma longa trajetória, está que trouxe o Secretário Nacional de Educação da AIB Gustavo Barroso à Academia Brasileira de Letras, e não estou falando da distancia geográfica que separa a cidade de Fortaleza, onde nasceu, à sede da ABL, no Rio de Janeiro. Estou falando da trajetória que todo intelectual percorre até ter seu trabalho reconhecido, e poucas vezes o reconhecimento leva a chegar àquela Casa. Muitos escritores que percorrem este caminho, quando lá chegam, têm sua participação beirando ao anonimato, porém, não foi isso que aconteceu com Gustavo Barroso. O Secretário Nacional de Educação da AIB, antes de conseguir ser eleito na Cadeira 19, em 8 de março de 1923, tentou quatro vezes, tendo tido êxito apenas na quinta. Vale ressaltar que Barroso foi o terceiro ocupante dessa cadeira, sucedendo ao escritor D. Silvério Gomes Pimenta.

Na sua posse, foi recebido pelo Acadêmico Alberto Faria, que ressaltou a presença do mais jovem membro no quadro da época, 34 anos, e sua prolífica publicação de até então 17 livros. Após ingressar na Academia Brasileira de Letras, o mais novo acadêmico passou a atuar no cargo de tesoureiro da instituição, o que lhe valeu participar ativamente na adaptação do prédio do Petit Trianon, oferecido pelo Governo francês ao Governo brasileiro. Gustavo Barroso também exerceu outros cargos na administração da Academia Brasileira de Letras, se destacando na presidência da Casa nas gestões de 1932/1933 e 1949/1950.

João do Norte, Nautilus, Jotanne e Cláudio França foram alguns dos diversos pseudônimos que Gustavo Barroso utilizou em suas obras. Infelizmente, a maior parte da sua Obra não se encontra reunida nos Livros, mas, espalhada por diversos jornais e revistas, nacionais e estrangeiros, destacando-se pelo longo período de sua colaboração, a revista Fon-Fon, na qual que escreveu assiduamente.

O Boletim Bandeira do Sigma recomenda a leitura de um dos maiores, se não o maior ensaio sobre a natureza e os costumes do sertão cearense, me refiro ao aclamado livro Terra de Sol, de autoria do Secretário Nacional de Educação da AIB, Gustavo Barroso. Outras obras, estas Integralistas, poderiam ser recomendadas, porém, para compreender a genialidade do Imortal sugiro primeiramente esta obra, já que é uma das mais famosas entre os seus 128 livros.

(Transcrito do Boletim “Bandeira do Sigma”, Janeiro de 2010, Ano I, Nº 6, página 2)

* Publicitário – RJ.

O Integralismo e a Revolução Comunista de 1935

junho 14, 2012

O Integralismo e a Revolução Comunista de 1935

Sérgio de Vasconcellos

Ao Companheiro Valmir Soares Jr.

Nos dias finais de Novembro de 1935, vivendo o Brasil em plena Democracia, sob a égide da Constituição social-democrática de 1934, alguns Brasileiros, civis e militares, magnetizados pelo marxismo-leninismo – uma ideologia estrangeira, internacionalista, imperialista, materialista, totalitária e anti-democrática -, desfecharam um golpe revolucionário visando destruir as liberdades públicas e instaurar um Estado Totalitário. Tal revolução, mais conhecida pelo antipático nome de “Intentona Comunista”, custou a vida de dezenas de Brasileiros – muitos dos quais Integralistas -, e que teve sua nada heróica culminância no episódio tristemente célebre do 3º RI, na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, quando militares comunistas assassinaram covardemente colegas de farda ainda dormindo.

Apesar de toda a articulação – secreta e de procedência internacional -, a insurreição bolchevista estourou apenas nas cidades de Natal, Recife e Rio de Janeiro, malogrando inteiramente. Ora, qual a principal razão do fracasso comunista?A ação fora minuciosamente concebida e a certeza de seu sucesso era tão grande, que Stálin enviou ao nosso País três comunistas de sua inteira confiança – que seriam os verdadeiros governantes do Brasil, agindo por trás de Luís Carlos Prestes, o líder oficial – Harry Berger, a esposa deste (Elise) e Olga Benário, que ao contrário da vulgata romântica, não se uniu a Prestes por “amor”, mas por ordem do Komintern…

Se formos ouvir os discursos nas Comemorações oficiais do esmagamento do levante e de Homenagem aos seus Mortos, teremos a impressão que foi a pronta reação das Forças Armadas que impossibilitou o sucesso comunista. Por mais que nos desagrade desmentir as Autoridades Nacionais, particularmente, as das nossas Forças Armadas, que desde a Guerra Holandesa só tem honrado o Brasil, infelizmente, somos obrigados a dizer em nome da Verdade que, a versão oficial é falsa e que as explicações que até aqui têm sido dadas pelos historiadores para a derrota comunista em 1935, salvo as honrosas exceções de praxe, são insuficientes e equivocadas.

Então, perguntar-me-ão, afinal, qual é a Verdade? Respondo:

A principal razão para o total fracasso da Revolução Comunista de Novembro de 1935 chama-se… INTEGRALISMO!

Se os Militares chamam para si a inteira responsabilidade da vitória da legalidade, se os historiadores, em sua maioria, desconhecem os acontecimentos, isto não altera a substancialidade do fato histórico. Os Integralistas, os únicos Brasileiros que pressentiam estar sendo algo tramado contra o Brasil pela 3ª Internacional, foram os primeiros a opor-se ao levante comunista, inclusive apresentando-se em instalações militares – quando a cadeia de comando e comunicação do Exército estava completamente rota -, o que impediu que diversas unidades militares fossem tomadas ou sublevadas pelos Vermelhos, como por exemplo, meu Tio, Geraldo de Paula Lopes, a frente de um Grupo de Integralistas no Quartel de Campinho, no Rio de Janeiro.

Todavia, a Heróica iniciativa dos Integralistas, que foi seguida pela ação de outros civis patriotas e finalmente pelas Forças Armadas, não teria talvez logrado o êxito obtido se muito antes de 1935, o Integralismo, não tivesses se lançado a tarefa de esclarecer o Povo Brasileiro e construir uma consciência cívico-política. Graças ao metódico trabalho da Acção Integralista Brasileira foi quase que por completa anulada a infiltração marxista nos Quartéis, o que privou a Revolução Comunista de elementos humanos preciosos, sem os quais a Revolução Vermelha já estava fadada ao fracasso.

Curiosamente, se Militares e Historiadores ignoram ou fingem ignorar a participação vital do Integralismo no debelamento da revolta marxista, os derrotados, isto é, os Comunistas, reconhecem-na lealmente, o que se comprova por uma Carta-Circular de 1936, em que Prestes explicava o insucesso e, entre outras coisas, dizia:

“Eu pensava agir de outro modo bem diferente” – refere-se à revolução comunista de 1935 – “como já tinha tido oportunidade de me manifestar aos camaradas mais chegados, PRINCIPALMENTE DEPOIS DO FENÔMENO INTEGRALISTA, que escapou por completo às minhas cogitações. Informei em sessão secreta do Comintern que, antes de tentar qualquer golpe no Brasil, era necessário:

“(…).

“3º) – EXTINGUIR OU PELO MENOS ENFRAQUECER O INTEGRALISMO”.

O próprio Dimitroff o reconheceu:

“Não foi possível vencermos no Brasil porque tivemos a leviandade de subestimar a força e a influência que o Integralismo representava”.

Então, Dimitroff expede novas instruções gerais, em 1936:

“1 – Exercitar as massas populares no movimento anti-nacionalista (fascismo, nazismo, “Croix du Feu”, INTEGRALISMO e outras organizações anti-comunistas); atrair para essa luta a pequena burguesia(classes liberais), reservando-lhes um lugar para as reivindicações que tiverem, na frente-popular democrática.

“(…)”.

Enfim, o malogro da Revolução Comunista acabou por originar a seguinte diretiva, também de Dimitroff, que é seguida maquinalmente até hoje pelos comunistas e pela burguesia apátrida:

Concentrant lê feu contre “les chefs” intégralistes et la politique hitlerienne du gouvernement, soulignant que ces “chefs” sont des agents des groupes les plus réactionnaires de l’impérialisme, il faut partout lutter pour lê front démocratique national-libérateur, surtout à la base y compris celle de l’Action Integraliste. Il faut mobiliser les masses pour qu’elles exigent des deux candidats (Armando Salles et José Américo) non des phrases vides pour la “démocratie”, mais une attitude nette devant les problèmes concrètes de la démocratization du pays, qui exige, pour commencer, la libération de Prestes e de sés compagnons, leur amnistie totale, l’établissement d’um regime de libertes démocratiques, etc”.

Traduzindo para o nosso idioma a parte que mais nos interessa desse precioso documento:

Concentrando o fogo contra “os chefes” integralistas (…), sublinhando que esses “chefes” pertencem aos grupos mais reacionários do imperialismo, lutar em toda a parte pela frente democrática nacional-libertadora, principalmente na base, incluindo a luta contra a Ação Integralista.(…)”.

Σ

Todas estas reflexões de caráter histórico são importantíssimas, quando sabemos que o marxismo – que muitos bisonhos acham que desapareceu com a sinistra União Soviética – está conspirando ativamente para instaurar no Brasil um Estado Totalitário, com o seu cortejo de horrores. Hoje, mais do que nunca, o Brasil necessita dos Integralistas, e que o exemplo dos Companheiros que nos antecederam na Revolução Integralista nos sirva de seguro farol de orientação na nossa luta por Deus, pela Pátria e pela Família.

BIBLIOGRAFIA:

1 – Custódio de Viveiros

“Os Inimigos do Sigma”

Rio de Janeiro – Livraria H. Antunes – 1936 – 200 págs.

2 – Plínio Salgado

“O Communismo contra o Brasil”

Rio de Janeiro – s/ed. – 1937 – 31 págs.

3 – Plínio Salgado

“Páginas de Combate”

Rio de Janeiro – Livraria H. Antunes – 1937 – 189 págs.

4 – Plínio Salgado

“Discursos(1ª Série – 1946/1947)” – 1ª edição

São Paulo – Cia. Ed. Panorama – 1948 – 190 págs.

5 – Plínio Salgado

“O Integralismo perante a Nação” – 4ª edição

em

“Obras Completas de Plínio Salgado” – vol. 9.

São Paulo – Editora das Américas – 1955 – 423 págs.

6 – Plínio Salgado

“Doutrina e Tática Comunistas (Noções Elementares)” – 1ª edição

Rio de Janeiro – Livraria Clássica Brasileira – 1956 – 155 págs.

7 – Plínio Salgado

“Livro Verde da Minha Campanha” – 2ª edição

Rio de Janeiro – Livraria Clássica Brasileira – 1956 – 270 págs.

8 – Plínio Salgado

“Palestras com o Povo

“(Irradiações do programa das terças-feiras na Rádio Globo em 1957 e 1958)”

Rio de Janeiro – Livraria Clássica Brasileira – 1959 – 195 págs.

9 – Plínio Salgado

“O Integralismo na Vida Brasileira”

Rio de Janeiro – Edições GRD/Livraria Clássica Brasileira – s/d – 269 págs.

“Enciclopédia do Integralismo” – Vol. I

10 – Plínio Salgado

“Discursos Parlamentares”

Seleção e introdução de Gumercindo Rocha Dorea

Brasília – Câmara dos Deputados – 1982 – 982 págs. – il.

Perfis Parlamentares – vol. 18.

Trechos de uma Carta

junho 13, 2012

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Trechos de uma Carta

Plínio Salgado

Em 24 de abril de 1934

Respondo às suas perguntas:

NACIONALISMO E INTERNACIONALISMO

Somos nacionalistas, não somos jacobinistas. Aceitamos idéias universais, repudiamos o cosmopolitismo. Desejamos, no futuro (quando as autoridades nacionais estiverem recompostas) um internacionalismo de Pátrias; renegamos o internacionalismo de indivíduos. As crises atuais (superprodução, os sem trabalho, a insolvabilidade das nações, a luta de classes) têm como causa a crise de autoridade dos governos; a “soberania nacional” é meramente política: A soberania financeira pertence aos banqueiros, ao super-capitalismo. Por conseqüência, a primeira etapa das nações será o nacionalismo que fortalece a autoridade. Nacionalismo compreende todas as forças vivas e atuantes do país. A propaganda Integralista deve, portanto, ser feita no seio das colônias estrangeiras, sem, contudo, se permitir que estrangeiros tenham preponderância no movimento.

Não sustentamos preconceitos de raça; pelo contrário, afirmamos ser o povo e a raça brasileiros tão superiores como quaisquer outros. Em relação ao judeu, não nutrimos contra essa raça nenhuma prevenção. Tanto que desejamos vê-la em pé de igualdade com as demais raças, isto é, misturando-se, pelo casamento, com os cristãos. Como estes não são intransigentes nesse sentido, desejamos que tal inferioridade não subsista nos judeus porque uma raça inteligente não deve continuar a manter preconceitos bárbaros.

RAÇAS E CAPITALISMO

Quanto ao capitalismo judeu, na realidade, ele não existe como tal. O que se dá é apenas uma coincidência: Mais de 60% do agiotarismo internacional está nas mãos israelitas. Isso não quer dizer que sejam eles os responsáveis exclusivos pelas desgraças atuais do mundo. Com o advento do Estado Integralista, por conseguinte a queda da Economia Liberal, o ritmo econômico se altera completamente, passando os governos a exercer controle sobre os fenômenos da produção, da circulação, do consumo e sobre as atividades técnicas e do trabalho. O capitalismo internacional será uma reminiscência de museu. Tornando-se o mundo todo Integralista, a humanidade ficará livre da ditadura das Bolsas e dos aparelhamentos particulares de crédito. A unidade da moeda restituirá a soberania financeira dos povos. O intermediário será um objeto arqueológico. Os conflitos sociais, livres da fatalidade da concorrência internacional que altera o preço dos salários, terão quase solução automática, fortalecendo-se, dess’arte, o prestigio das magistraturas do trabalho. Nessas condições, não podemos querer hoje mal ao judeu, pelo fato de ser o principal detentor do ouro, portanto principal responsável pela balburdia econômico-financeira que atormenta os povos, especialmente os semi-coloniais como nós, da América do Sul. O judeu capitalista é igual a um cristão-capitalista: Sinais de uma época de democracia-liberal. Ambos, não terão mais razão de ser porque a humanidade se libertará da escravidão dos juros e do latrocínio do jogo das Bolsas e das manobras banqueiristas. A animosidade contra os judeus é, além do mais, anticristã e, como tal, até condenada pelo próprio catolicismo. A guerra que se fez a essa raça, na Alemanha, foi, nos seus exageros, inspirada pelo paganismo e pelo preconceito de raça. O problema do mundo é ético e não étnico.

VERDADES HISTORICAS

E já que falamos em ética, focalizo um tópico de sua carta relativo ao “poderio comercial e financeiro do grande povo holandês” em outros tempos. Realmente, no alvorecer do individualismo econômico e da internacionalização do comércio, houve aquele poderio da Holanda, mas não do “povo holandês”. Recentemente esse poderio pertenceu ao capitalismo instalado na Inglaterra, mas a miséria do povo inglês foi concomitante. Os movimentos trabalhistas na Inglaterra provam isso; a fixação de Marx e Engels em Londres demonstrou que a opressão do povo criava um clima para as revoltas sociais. O esplendor da City e da Wall-Street não significaram o poder de britânicos e americanos: Miseráveis dormiam nos bancos das Avenidas e a crise dos “sem trabalho” não é uma expressão de poderio. O capitalismo não tem Pátria. Ele se instala onde melhor lhe convém num momento histórico. A sua política é super-nacional porque exprime os interesses fora do âmbito do Estado.

SOLUÇÕES INTEGRALISTAS

Tudo isso vem confirmar o que disse atrás: Criado o Estado Integral, já não interessará a canalização de capitais porque a Economia não será mais regida por um conceito estático, que é o da moeda, transformada em mercadoria, porém pelo conceito dinâmico da produção. As possibilidades da produção e a honra dos governos serão, quando o mundo todo for Integralista, verdadeiros lastros do dinheiro, transformado por um novo sentido de economia, executando seu legitimo papel de agente intermediário, e não mais em algoz do gênero humano, em opressor das nacionalidades, como o Brasil, preso, ha cem anos, na gaveta de Rotschild. No integralismo, o judeu se apaziguará com os outros povos. Raiará uma época de verdadeira fraternidade. O longo fadário, a angustia do israelita cessarão. Esse povo poderá até ter o direito de construir a sua própria nação, entregando-se aos trabalhos do campo e das fabricas, cooperando com sua grande inteligência para a civilização, livre agora das desconfianças que desperta e em que vive, o que o leva a isolar-se e a enquistar-se nas pátrias alheias. Não podemos odiar uma raça da qual saiu Jesus Cristo. Veja, pois, que o nosso ponto de vista é superior a respeito dos problemas. Não combatemos nem raças nem classes: Insurgimo-nos contra uma civilização.

PACIFISMO

Somos pacifistas. Queremos a união de todas as nações sul-americanas porque nossos problemas, nossa escravidão são idênticas. Denunciamos, porém, à Nação uma certa Liga Anti-Guerreira, que é comunista. O pacifismo pregado pela III Internacional está em desacordo: 1º) – com os métodos de violência preconizados por Sorél e adotado pelo bolchevismo; 2º) – com o formidável exército vermelho que escraviza os proletários e os camponeses na Rússia; 3º) – com as guerras ateadas na China pelos agentes de Moscou. – Cumpre notar: Não confundir o nosso pacifismo com passivismo”.

PLINIO SALGADO (“Panorama” – Ano I – Abril e Maio de 1936 – Nº 4 e 5 – págs. 3, 4 e 5.)

Integralismo é fascismo?

junho 12, 2012

Integralismo é Fascismo?

Victor Emanuel Vilela Barbuy

Não, Integralismo não é Fascismo. Os Integralistas jamais julgaram que o modelo de Mussolini valesse algo para o caso do Brasil, cujo problema sempre foi muito mais complexo do que o da Itália.

Cuidamos que um dos grandes males de nosso Brasil e de nossa América tem sido a importação de sistemas estrangeiros que de nada nos servem. Como disse o proeminente escritor norte-americano de origem portuguesa John Dos Passos em seu artigo “The New Masses I’d Like”, de 1927, “desde Colombo que os sistemas importados têm sido uma maldição neste continente. Por que não desenvolver um modelo só nosso?”. Plínio Salgado pensava da mesma forma que o autor de “Manhattan Transfer” e da “Trilogia USA” quando um ano antes, nas imortais páginas de seu romance “O Estrangeiro”, criava, por meio da luta do personagem nacionalista Juvêncio contra os papagaios que não paravam de cantar o “Giovinezza”, aquilo que Gumercindo Rocha Dórea chama de “primeiro manifesto antifascista do Brasil”. E pensava do mesmo modo em 1931, quando escreveu o “Manifesto da Legião Revolucionária de São Paulo”, onde afirma que “não devemos transplantar para o Brasil, nem o fascismo nem outros sistemas exóticos”. Por fim, em 1946, na magnífica “Carta de Princípios do PRP” (Partido de Representação Popular), Plínio Salgado também sustenta que a subserviência a ideologias ou partidos estrangeiros é perigo de morte para nossa Pátria”.

E não é apenas por ser um sistema estrangeiro, um sistema alienígena que não consideramos o Fascismo válido para o Brasil. Abominamos por completo a Ditadura, o Cesarismo e o Estado Totalitário, defendendo a Democracia Integral, ou Cristã, e o Estado Ético, ou Integral; e temos consciência de que o Integralismo se aproxima muito mais da Doutrina Social da Igreja e do movimento cristão e democrático de D. Sturzo do que do Fascismo de Benito Mussolini.

No ano de 1927, em sua obra “Literatura e Política”, no capítulo intitulado “Pela Defesa Nacional”, Plínio Salgado já condenava o Fascismo, bem como seu irmão, o Bolchevismo: “Aparecem duas tisanas para as doenças da Europa: o comunismo e o fascismo. Ambos materialistas decretam a falência da democracia: – ou triunfa o imperialismo econômico baseado no ‘nacionalismo’, no ‘fascismo’, na ‘ditadura militar’; ou vence o imperialismo político da Terceira Internacional.

“Será esse o dilema para os jovens povos da América? Que rumo devem seguir os países novos, como o Brasil? Se pretendemos empreender a defesa da democracia, em face das prementes realidades econômicas dos povos, devemos colocar o problema sob o ponto de vista retardatário do liberalismo, dos nossos partidos oposicionistas?” (“Obras Completas”. Vol. décimo nono. São Paulo: Editora das Américas, 1956, págs. 64 e 65).

É verdade, entretanto, que o Integralismo tem alguns pontos em comum com o Fascismo, em especial no que respeita à sua posição em relação ao Comunismo e ao Capitalismo Liberal, à defesa da harmonia social em face da luta de classes e à idéia de que o Estado não pode permanecer passivo como no Liberalismo, devendo intervir na Economia e nas relações entre Capital e Trabalho visando satisfazer às demandas do bem comum. Mas, na realidade, todos esses princípios não surgiram com o Fascismo, mas sim com a “Rerum Novarum”, de Leão XIII, e a Doutrina Social da Igreja formada a partir da promulgação desta ainda hoje atualíssima Encíclica que foi tão profundamente estudada por Plínio Salgado.

Também é verdade que certos autores Integralistas – dentre os quais NÃO se encontra Plínio Salgado, que sempre deixou bem claro que seu pensamento derivava dos ensinamentos do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Doutrina Social da Igreja, bem como das obras de eminentes pensadores e poetas nacionais como Alberto Torres, Jackson de Figueiredo, Farias Brito, Euclides da Cunha, Oliveira Vianna, Tavares Bastos, Olavo Bilac, Gonçalves Dias e Castro Alves – definiram o Integralismo como sendo um movimento fascista como inúmeros outros que então existiam pelo Mundo e que contavam com a admiração de personalidades como Fernando Pessoa, José Antonio Primo de Rivera, Ezra Pound, T.S Eliot, Alceu Amoroso Lima e Octavio de Faria.

Faz-se mister sublinhar, todavia, que isto ocorreu num tempo anterior à subordinação da Itália de Mussolini à Alemanha Hitlerista e às ignominiosas leis que o “Duce”, pressionado pelos nazistas, acabou adotando contra o povo judeu, ao qual não tinha nenhuma aversão, e sobretudo anterior ao triunfo das famosas “técnicas de etiquetagem” das chamadas “esquerdas”, que conseguiram, aliás, transformar movimentos tão diversos como o Fascismo, o Nazismo e o Integralismo em sinônimos, sendo, com efeito, as grandes responsáveis pelas imagens completamente absurdas que se passam do Integralismo em livros, revistas, filmes e novelas e minisséries da Rede Globo de Televisão. Ao contrário, tudo isto ocorreu num tempo em que o Fascismo era visto com enorme admiração pela maior parte das pessoas em geral e sobretudo dos intelectuais, sendo encarado como uma “terza via” entre o Capitalismo Liberal e o Bolchevismo, uma reação espiritualista contra o Materialismo grosseiro, uma promessa de alvorada, de primavera após uma noite, um inverno materialista que já durava décadas.

Dentre esses autores Integralistas que consideravam o Movimento do Sigma como sendo um movimento fascista, destaca-se a saudosa e notável figura de Miguel Reale, em cujos escritos o termo “Fascismo” adquiria “uma conotação genérica, para abranger todas as formas de ‘economia dirigida’, ou, mais amplamente, de ‘economia planificada’. Foi só mais tarde que, de um lado, pela subordinação do Fascismo aos objetivos de Hitler, e, de outro, como consequência da já mencionada ‘técnica de etiquetagem’ esquerdista, a palavra Fascismo passou a ser sinônimo de Nazismo, a fim de ser mais cômodo combatê-lo” (Miguel Reale. “Memórias”. Vol. 1. “Destinos Cruzados”. São Paulo: Saraiva, 1986, pág. 93). É importante frisar ainda que Reale referia-se, outrossim, ao “New-Deal” de Roosevelt como um “fascismo à maneira ‘yankee’”, tal como o definira Alceu Amoroso Lima.